Resumo do conteúdo: As vendas no varejo subiram 0,4% em janeiro e surpreenderam o mercado, que esperava leve queda. O resultado divulgado pelo IBGE mostra retomada após o recuo de dezembro, com avanço anual de 2,8% e desempenho puxado por farmácias, vestuário e supermercados, mesmo em um cenário ainda marcado por juros altos e crescimento econômico mais moderado.
As vendas no varejo começaram 2026 melhor do que o esperado, mesmo com crédito caro e atividade econômica mais fria? A princípio, sim. Sobretudo, o dado de janeiro chamou atenção porque veio depois de uma queda de 0,4% em dezembro e interrompeu a leitura de perda de fôlego no fim de 2025.
Primordialmente, o número importa porque o comércio costuma ser um dos primeiros termômetros do consumo das famílias. Quando o varejo reage logo na largada do ano, ele ajuda a mostrar se o consumidor segue comprando apenas o básico ou se já volta a abrir espaço para gastos menos defensivos.
Além disso, o contexto torna o resultado ainda mais relevante. O Banco Central manteve a Selic em 15,00% ao ano em janeiro de 2026, enquanto o PIB do quarto trimestre de 2025 avançou só 0,1%. Portanto, a alta de 0,4% nas vendas no varejo ganhou peso porque apareceu num ambiente em que a expectativa predominante era de mais cautela no consumo.
O que explica a alta de 0,4% nas vendas no varejo em janeiro?
A alta de 0,4% nas vendas no varejo em janeiro reflete uma combinação de resiliência do consumo e recuperação parcial após a queda de dezembro. Em termos práticos, o resultado mostra que o comércio entrou em 2026 com alguma sustentação, apesar dos juros elevados e da desaceleração da atividade no fim do ano passado.
Segundo o IBGE, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 0,4% frente a dezembro de 2025, na série com ajuste sazonal. Na comparação com janeiro de 2025, a alta foi de 2,8%, enquanto a média móvel trimestral subiu 0,3% no trimestre encerrado em janeiro.
Além disso, o instituto destacou que janeiro levou o varejo ao ponto mais alto da série da margem, igualando o nível de novembro de 2025. Esse detalhe é importante porque renovação de pico não é algo frequente em meses de abertura de ano, quando parte do comércio ainda ajusta estoques e ritmo de vendas depois do fim de ano.
Quais setores puxaram as vendas no varejo?
Quatro das oito atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram crescimento em janeiro e puxaram as vendas no varejo para cima. Os destaques vieram de artigos farmacêuticos, vestuário, outros artigos de uso pessoal e doméstico e hipermercados e supermercados, o que mostra força tanto em consumo essencial quanto em parte do gasto discricionário.
Os maiores avanços foram registrados em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com alta de 2,6%, e em tecidos, vestuário e calçados, com 1,8%. Outros artigos de uso pessoal e doméstico cresceram 1,3%, enquanto hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo avançaram 0,4%.
Esse desenho ajuda a entender por que o resultado surpreendeu. Quando supermercados e farmácias sustentam parte do índice, o varejo conta com uma base mais defensiva. Contudo, quando vestuário e artigos de uso pessoal também avançam, o dado sinaliza que o consumidor não ficou restrito apenas às compras mais urgentes.
Quais segmentos recuaram no varejo brasileiro?
Os recuos de janeiro ficaram concentrados em segmentos mais expostos a câmbio, reposição de estoques e sensibilidade ao crédito. Em outras palavras, enquanto algumas áreas do comércio reagiram bem, outras continuaram sentindo um ambiente econômico mais apertado e uma demanda ainda seletiva.
O principal tombo veio de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com queda de 9,3%. Também recuaram livros, jornais, revistas e papelaria, com -1,8%, e combustíveis e lubrificantes, com -1,3%. Já móveis e eletrodomésticos ficaram estáveis no mês.
Além disso, o próprio IBGE apontou que o segmento de eletrônicos tende a sofrer mais com oscilações do dólar e decisões de estoque. Na prática, isso reforça a leitura de um consumo ainda desigual, em que bens mais caros ou mais sujeitos à volatilidade de preço seguem enfrentando maior dificuldade para ganhar ritmo.
Como os juros altos ainda pesam sobre as vendas no varejo?
Os juros altos ainda pesam sobre as vendas no varejo porque encarecem o crédito, reduzem o espaço para parcelamento e freiam compras de maior valor. Mesmo assim, o resultado de janeiro mostra que parte do comércio continua encontrando apoio em segmentos menos dependentes de financiamento e em um mercado de consumo ainda relativamente ativo.
O Banco Central manteve a Selic em 15,00% ao ano na reunião de janeiro de 2026. Esse patamar influencia diretamente as taxas cobradas em empréstimos, financiamentos e operações do varejo, o que afeta especialmente móveis, eletrodomésticos, eletrônicos e outros bens mais sensíveis a crédito.
Por isso, a alta de janeiro precisa ser lida com equilíbrio. Ela é positiva e melhor do que o esperado, porém não significa que o varejo já voltou a crescer com folga em todos os segmentos. Portanto, o dado melhora o humor, mas ainda convive com um ambiente financeiro apertado.
O varejo ampliado reforça a leitura de início de ano melhor?
Sim, o varejo ampliado reforça a leitura de um começo de ano mais favorável. Em janeiro, ele cresceu 0,9% na comparação com dezembro e 1,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, o que indica alguma tração além do núcleo mais tradicional do comércio.
Esse indicador inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo. Por isso, ele oferece uma fotografia mais ampla da atividade comercial e ajuda a identificar se a reação ficou restrita a poucos nichos ou se alcançou áreas mais variadas da economia.
Contudo, ainda é cedo para falar em retomada robusta. O PIB de 2025 cresceu 2,3%, mas o quarto trimestre avançou apenas 0,1%, o que mostra uma economia que chegou ao fim do ano passado com menos impulso. Assim, janeiro foi um começo melhor, mas ainda não resolve sozinho a trajetória de 2026.
Conclusão
As vendas no varejo abriram 2026 com alta de 0,4% e surpreenderam porque vieram acima das expectativas e depois de um dezembro negativo. O IBGE mostrou avanço mensal de 0,4%, crescimento anual de 2,8% e melhora da média móvel, com destaque para farmácias, vestuário, artigos de uso pessoal e supermercados. Portanto, o comércio começou o ano com um sinal positivo e relevante.
Ao mesmo tempo, o resultado não apaga as limitações do cenário econômico. A Selic continua em 15,00% ao ano, o crédito segue caro e o PIB fechou o quarto trimestre de 2025 praticamente estável. Além disso, segmentos como informática e comunicação ainda mostraram recuo forte, o que deixa claro que a recuperação do consumo não é homogênea.
Sobretudo, o dado de janeiro vale como ponto de atenção para os próximos meses. Se as vendas no varejo mantiverem esse ritmo, o começo de 2026 pode sinalizar uma atividade mais resistente do que se imaginava. Contudo, se o avanço ficar restrito a poucos setores, a leitura continuará sendo de melhora pontual, e não de virada ampla. Compartilhe este artigo e acompanhe nossos próximos conteúdos sobre varejo brasileiro, consumo, PIB, inflação e juros.
FAQ – Desempenho das Vendas no Varejo (Janeiro 2026)
As vendas no varejo brasileiro registraram uma alta inesperada de 0,4% em janeiro em comparação a dezembro de 2025. O resultado superou as expectativas do mercado, que previa uma queda de 0,10% para o período.
Na comparação anual, o volume de vendas em janeiro de 2026 apresentou um avanço de 2,8% em relação ao mesmo mês de 2025, indicando uma força maior do que o crescimento de 1,65% esperado por analistas.
Dentre as oito atividades pesquisadas, quatro cresceram. Os destaques positivos foram Artigos farmacêuticos e perfumaria (2,6%), Tecidos, vestuário e calçados (1,8%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,3%) e Hiper e supermercados (0,4%).
A maior queda foi registrada no setor de Equipamentos para escritório, informática e comunicação (-9,3%), afetado pela volatilidade do dólar. Também recuaram os setores de Livros e papelaria (-1,8%) e Combustíveis (-1,3%).
Embora a taxa Selic esteja elevada em 15%, o mercado de trabalho forte tem sustentado a demanda. Contudo, o início do ciclo de cortes de juros pode ser influenciado pela instabilidade internacional e pelos conflitos no Oriente Médio iniciados em fevereiro.
