por: Julio Sousa
Foto: Canva
A dúvida se os prefixados podem dobrar seu patrimônio é pertinente. Com a Selic a 15%, a promessa de travar uma alta rentabilidade por anos é tentadora, mas esconde riscos que precisam ser analisados.
A matemática é simples. Usando a "Regra do 72", um título que rende 12% ao ano, por exemplo, dobraria seu capital em 6 anos. Com as taxas atuais, essa meta se torna bastante tangível no médio prazo.
A primeira armadilha é a inflação. Dobrar seu patrimônio nominal não significa dobrar seu poder de compra. Se a inflação subir, seu ganho real será corroído, e o dinheiro no futuro pode comprar menos do que hoje.
A segunda armadilha é o custo de oportunidade. Ao travar uma taxa, você fica de fora se os juros subirem ainda mais. Por isso, a diversificação com títulos pós-fixados (CDI) e atrelados à inflação (IPCA+) é essencial.
A terceira armadilha é a marcação a mercado. Se você precisar vender seu título prefixado antes do vencimento e os juros tiverem subido, o valor do seu título cairá, e você pode ter prejuízo.
O uso correto dos prefixados é para objetivos com prazo definido. Se você precisa de um valor exato em uma data específica, eles oferecem a previsibilidade de saber exatamente quanto você irá resgatar no vencimento.
Então, é oportunidade ou armadilha? É uma oportunidade, se usada com estratégia: para metas de médio prazo, dentro de uma carteira diversificada e ciente do risco da inflação. É uma armadilha se você precisar do dinheiro antes ou concentrar tudo.